Foi na manhã de sábado sua primeira experiência. Mal sabia que aquilo mudaria sua vida.
Chegou em casa em silêncio. Não se atrevia a falar com ninguém. Temia que pudessem desconfiar de algo. Tal experiência fez com que ele mudasse totalmente sua concepção de ver e julgar o mundo.
Entrou em seu quarto, trancou a porta e lá ficou por mais de uma hora. Estava confuso e precisava pensar. Temia o que poderia ser dali pra frente. Precisava de alguém para conversar sem que o descriminasse. Imaginava como seria a reação de seus pais quando descobrissem: ”Não foi para isso que te eduquei.” Falaria seu pai.
Vivia em conflito constante com seu pai. E tinha certeza de que ele não aceitaria tal condição. Porém uma hora ou outra ele teria que falar. Era melhor que soubessem por ele entes que alguém comentasse com os mesmos.
Com o passar do tempo a dúvida foi dando lugar a certeza. Agora sabia realmente o que queria, não conseguia mais se imaginar de outra forma. Continuava fazendo o que gostava, mas escondido de seus pais e isso o atormentava bastante. Apesar dos conflitos em casa, não suportava o fato de fazer coisas escondidas. Estava satisfeito com sua descoberta, mas sua consciência pesava quando estava em casa. Até que naquele mesmo dia resolveu que assumiria para seus pais o que havia se tornado.
Como toda mãe, a sua já desconfiava e algo, mas tentava evitar a verdade.
Chegada a hora do jantar, todos sentaram-se ao redor da mesa e saboreavam a comida enquanto ele se preparava para se assumir. Sentia-se tenso, suas mãos suavam e parecia que seu coração iria sair pela boca. Não poderia mais adiar ou viveria com o peso sobre suas costas. Respirou fundo e decidiu começar:
_ Mãe, pai tenho algo que há muito tempo venho querendo falar-lhes.
Seus pais o olharam já desconfiados do que seria. Puseram a comida de lado e voltaram sua atenção para ele. E continuou:
_ Vivi uma experiência que me deixou bastante confuso, mas no decorrer do tempo percebi que não haveria outra forma de ser que me deixasse tão realizado como estou agora.- Assim como ele seus pais pareciam angustiados.-_Sei o quanto pode parecer estranho pra vocês. Sei que com a educação que vocês me deram não deveria, talvez, ser o que sou. Mas não é uma escolha. É uma condição de vida. Sei o quanto vai ser difícil para vocês me aceitarem, mas espero que com o tempo vocês entendam.
Sua mãe chorava compulsivamente. Agora ela tinha certeza da opção de seu filho. Ela sabia do comentário da vizinhança. As saídas de seu filho altas horas da noite não lhe deixara dúvidas. Agora tudo se encaixava.
E prosseguiu:
_Mãe, pai preciso contar-lhes que eu...eu sou...eu sou taxista!
Seus pais se olharam surpresos. Não conseguiam entender a escolha do filho. Sabiam da paixão dele por carros, mas não sabiam que essa paixão o levaria a optar por ser taxista.
Seu pai retirou-se da mesa inconformado. Não conseguia entender a escolha do filho. Tanta educação para nada. Como explicaria para seus amigos da alta sociedade que seu filho era taxista? Isso era inadmissível.
A mãe, ainda com lágrimas nos olhos, abraçou o filho mesmo não concordando com sua decisão e falou:
_ Sei como vai ser difícil daqui pra frente. Mas sou sua mãe e ficarei a seu lado independente de qualquer coisa, mas eu espero que você compreenda seu pai. Você sabe que tudo que ele investiu em você não foi para que se tornasse um simples taxista. O sonho dele era ao menos que você fosse piloto de fórmula 1.
Se abraçaram e ele ficou pensando em como seria dali para frente. Sabia que seria julgado, mas independentemente do que falassem daria continuidade ao seu trabalho. Quem sabe até conseguiria ter sua própria frota de táxi.
Fim.
Talvez com o passar do tempo seus pais entendam ou ele decida ser piloto de fórmula 1, enfim...a questão é que nunca devemos guardar expectativas sobre o futuro, seja o nosso ou dos outros. Nem sempre o que parece é ou será. J
Fikdik!